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A seguir irei apresentar algumas situações onde realizei termografia em equipamentos da rede de distribuição.

Os equipamentos analisados estão na rede de alimentação urbana de uma capital de estado do Nordeste em regime de tensão de 13,8 kV.

O equipamento utilizado para realizar os registros e medições foi o termovisor da marca Flir Sistems – Modelo E8/Wifi, conforme a Figura 1.

 

Figura 1. Termovisor E8 – Flir Sistems

termovisores

Fonte: http://www.flir.com.br/browse/professional-tools/thermography-cameras/

 

Especificações técnicas:

  • Tipo: Microbolômetro;
  • Refrigeração: Ausente;
  • Resolução: 320 x 240 pixels;
  • Faixa Espectral: 7,5 a 13 micrômetros;
  • Temp. Operacional: -40ºC a 70ºC;
  • Temp. de Medição: -20ºC a 250ºC;
  • Captação: Infravermelha;
  • Peso: 0,575 gramas.

 

Termografia em religador automático

 

O religador automático inspecionado conforme apresenta-se na Figura 2, se situa na saída de um alimentador de distribuição de uma subestação abaixadora. A corrente máxima nominal de operação desta chave é 450 A.

 

  Figura 2. Imagem Térmica do Religador Automático

termovisão redes

 

Os parâmetros analisados durante a inspeção termográfica foram:

  • Temperatura Ambiente = 25ºC;
  • Temperatura Mínima Medida no Equipamento = 46,4ºC;
  • Temperatura Máxima Medida no Equipamento = 108,0ºC;
  • Temperatura Máxima Admissível pelo Equipamento = 100ºC;
  • Emissividade = 0,75;
  • Umidade Relativa do Ar = 72%;
  • Corrente Máxima Medida no Equipamento = 225 A;
  • Corrente Máxima Suportável pelo Equipamento = 450 A;
  • Carga Instantânea no Ato da Inspeção = 0,5 ou 50%.

 

Comentários: O ponto quente evidenciado situa-se numa emenda pré-formada nos cabos de entrada do religador. Segundo Manual de Especificações Técnicas do fabricante da emenda em questão, o componente opera continuamente com temperatura máxima de 70ºC, e por 6 horas em temperatura crítica de 130ºC a 200ºC. O valor obtido durante a inspeção foi de 108ºC, ou seja, encontra-se abaixo da faixa crítica e superior ao valor de operação em regime contínuo. Este defeito pode levar ao comprometimento das buchas e isolamento do equipamento religador. A correção deste defeito custou R$ 2.500,00.

 

Termografia em chave seccionadora

 

A chave seccionadora inspecionada conforme a Figura 3, se situa no tronco (linha principal) de uma rede de distribuição que atende cerca de 2500 consumidores. A chave em questão opera com tensão nominal de 13,8 kV e a corrente máxima nominal de operação é 300 A.

 

Figura 3. Imagem Termográfica de Chave Seccionadora.

termovisão redes 2

 

  • Os parâmetros analisados durante a inspeção termográfica foram:
  • Temperatura Ambiente = 26ºC;
  • Temperatura Mínima Medida no Equipamento = 56,7ºC;
  • Temperatura Máxima Medida no Equipamento = 150,2ºC;
  • Emissividade = 0,75;
  • Umidade Relativa do Ar = 67%;
  • Corrente Máxima Medida no Equipamento = 270 A;
  • Corrente Máxima Suportável pelo Equipamento = 300 A;
  • Carga Instantânea no Ato da Inspeção = 0,9 ou 90%.

 

Comentários: O ponto quente evidenciado situa-se num contato de atracação superior da chave seccionadora trifásica. Tais contatos podem apresentar sobreaquecimento por uma série de questões como a força aplicada durante a execução de manobras de abertura e fechamento da chave seccionadora, acúmulo de sujidades nas junções do equipamento e corrosão no corpo da lâmina seccionadora. Segundo o fabricante do equipamento, este contato da chave suporta em regime contínuo, a temperatura constante de 50°C, e em regime crítico, durante 36 h, a temperatura de 120°C. O valor obtido durante a inspeção foi de 150,2ºC, denota a necessidade imediata de manutenção corretiva, já que o componente ultrapassou até mesmo a temperatura crítica de operação. A correção deste defeito custou R$ 1.600,00.

 

Termografia em chave fusível

 

A chave seccionadora inspecionada conforme a Figura 4, se situa em uma derivação do circuito de rede primária, composto por 8 transformadores de distribuição, que somam o abastecimento a 1000 consumidores residenciais, em 127 V e 220 V.

 

Figura 4. Imagem Termográfica de Chave Fusível.

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  • Os parâmetros analisados durante a inspeção termográfica foram:
  • Temperatura Ambiente = 28ºC;
  • Temperatura Mínima Medida no Equipamento = 30ºC;
  • Temperatura Máxima Medida no Equipamento = 79,8ºC;
  • Temperatura Máxima Admissível pelo Equipamento = 40ºC;
  • Emissividade = 0,75;
  • Umidade Relativa do Ar = 66%;
  • Corrente Máxima Medida no Equipamento = S/M;
  • Corrente Máxima Suportável pelo Equipamento = 200A;
  • Carga Instantânea no Ato da Inspeção = S/M.

 

Comentários: A partir dos resultados obtidos e apresentados acima, dos parâmetros e análise da imagem, constata-se a não-conformidade na conexão superior do encabeçamento da chave fusível. Esta região é responsável por conectar a chave ao condutor de ligação do cabo da rede primária. A chave fusível em questão, segundo o fabricante da mesma, suporta a variação máxima de temperatura entre 70ºC a 90ºC – no período de 18 horas e opera em regime contínuo até 40ºC. No ato da inspeção, a região superior da chave fusível apresenta 79,8ºC de temperatura, ou seja, a temperatura medida está dentro da faixa dos valores máximos suportados por 18 horas e acima do valor em regime contínuo. Com isto, há necessidade de programação da manutenção corretiva imediata, a fim de normalizar a situação inadequada. A correção deste defeito custou R$ 900,00.

 

Termografia nas conexões mufla

 

A mufla inspecionada conforme se apresenta na Figura 5, supre energia para um único consumidor comercial que possui contrato especial de fornecimento de energia com a concessionária. A corrente máxima suportável pela mufla é 270 A.

 

Figura 5. Imagem Termográfica de Mufla.

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Os parâmetros analisados durante a inspeção termográfica foram:

  • Temperatura Ambiente = 27ºC;
  • Temperatura Mínima Medida no Equipamento = 38ºC;
  • Temperatura Máxima Medida no Equipamento = 60,5ºC;
  • Temperatura Máxima Admissível pelo Equipamento = 80ºC;
  • Emissividade = 0,75;
  • Umidade Relativa do Ar = 70%;
  • Corrente Máxima Medida no Equipamento = 265 A;
  • Corrente Máxima Suportável pelo Equipamento = 270 A;
  • Carga Instantânea no Ato da Inspeção = 0,9815 ou 98,15%.

 

Comentários: A partir dos resultados obtidos e apresentados acima, dos parâmetros e análise da imagem, constata-se a não-conformidade na isolação do corpo isolante da mufla. A mufla em questão, testada e parametrizada pelo fabricante, suporta a variação máxima de temperatura entre 80ºC a 120ºC (por até 6 horas) e 60ºC (em regime contínuo de operação). No ato da inspeção, a temperatura aferida do equipamento é de 60,5ºC, valor superior ao máximo continuamente e abaixo do crítico. A situação encontrada é justificada pelas condições naturais que o componente elétrico se encontrava acometido, como a exposição a poeira intensa e poluição química, levando o corpo da mufla a apresentar rachaduras e fuga de corrente. A correção deste defeito, que consiste na substituição da conexão mufla da fase afetada, custa em torno de R$ 1.300,00.

 

Veja também:

Termografia em equipamentos da rede de distribuição

Impactos da oscilação de tensão nas instalações elétricas

Aquecimento em cabos e conexões: perigos e cuidados

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Por | 2020-04-23T11:32:50-03:00 abril 5th, 2020|Dicas técnicas|

Sobre o autor:

Ivan França
Engenheiro Eletricista na Empresa SmartEng - Serviços de Engenharia/ Pós-graduando em Sistemas Elétricos de Potência e Controlador de Operações do Sistema Elétrico. Possui amplo conhecimento em manutenção e operação de sistemas de distribuição de energia, além de atuar nas áreas de projeto elétrico e eficiência energética. Realizo palestras e treinamentos voltados ao setor elétrico.

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