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Vamos supor que você profissional iniciante ou que possui pouca experiência independente de ser       Engenheiro eletricista ou Eletrotécnico, seja contratado para elaborar um projeto elétrico.

Chegando à etapa de se escolher os dispositivos de proteção como os DR, por exemplo, você saberia diferenciar o funcionamento dos modelos existentes? A aplicabilidade de cada modelo? Sua Função?

São perguntas no qual suas respostas são fundamentais para que o seu projeto seja elaborado de uma forma que dê segurança a todo usuário que venha usufruir desta instalação elétrica, entretanto para se atingir esse nível de segurança é fundamental que você saiba aplicar este dispositivo de forma correta e principalmente obedecendo às regras da norma NBR5410.

Além de efetuar as boas práticas ditadas na NBR5410 temos também que efetuar todos os serviços conforme lei 8078/90, art. 39 – VIII, art. 12, art. 14 contida no CDC (Código de defesa do consumidor).

 

A sigla DR

 

Em primeiro lugar, irei explicar o que significa a sigla DR que quer dizer DIFERENCIAL RESIDUAL, ou seja, ela visa objetivar que todos os componentes que as possuem fazem parte vamos dizer desse sistema de funcionamento que se estabelece da seguinte forma:

Ele é capaz de absorver as correntes de fuga que venha a existir em seu circuito elétrico. Existindo essa corrente de fuga desde que ela atinja a zona de disparo do Dispositivo DR (conforme norma ABNT NBR NM 61008), o dispositivo DR deve operar entre 50% e 100% da corrente nominal residual, o mesmo automaticamente efetua o seu desarme, evitando assim, riscos de choque elétrico e incêndios e também o desperdício de energia.

 

Correntes de Fuga

 

As correntes de fuga são um dos maiores vilões em relação ao aumento de consumo de energia que aparece de forma inesperada na sua conta de energia.

Normalmente elas surgem em emendas mal feitas, condutores com desgaste da sua isolação com o passar do tempo, danificações dos condutores durante a sua instalação dentro das tubulações, instalações de equipamentos de forma inadequada, etc.

 

Função do IDR

 

O componente IDR que significa INTERRUPTOR DIFERENCIAL RESIDUAL tem a função de atuar somente em casos de corrente de fuga, em outras palavras a sua atuação só acontecerá quando houver corrente de fuga maior que 30mA e não em correntes de curto circuito; visto que com essa característica podemos evitar risco de choque elétrico e incêndio.

 

Mais por que 30 mA no DR?

 

O corpo humano sofrendo um choque elétrico de 10mA já causa contração nos músculos, a corrente de 20mA podem ocasionar dificuldade de respiração, no qual a respiração poderá vir a deixar de existir a partir de 75mA. Após 75mA podemos apresentar perturbações circulatórias, asfixia, etc.

De acordo com estudos científico, corrente elétrica de 30mA seria o máximo de corrente elétrica dentro desse intervalo de 10mA a 75mA que o corpo humano pode vir a suportar sem lhe causar, maiores danos num curto espaço de tempo.

Correntes elétricas que estejam na faixa de 100mA a 200mA são as que podem vir a ocasionar a morte. As correntes elétricas com intensidade próximo a 100mA, fazem com que as paredes do coração passam a executar movimentos descontrolados. Em outras palavras, as percepções que o corpo humano pode apresentar depende muito do tempo de duração do choque elétrico.

Quanto maior o tempo do choque elétrico e consequentemente maior for à corrente elétrica, maior danoso será ao corpo humano.

Abaixo segue uma tabela que nos mostra as percepções do corpo humano em relação a corrente elétrica.

 

correntes dr

Fonte: Eletricista Consciente

 

Função do DDR

 

Em seguida, falaremos do componente DDR que significa DISJUNTOR DIFERENCIAL RESIDUAL. Como o seu nome já nos diz, ele possui a capacidade de atuar como disjuntor e como interruptor, ou seja, ele protege o circuito tanto em sobrecarga, corrente de curto-circuito, como em corrente de fuga, desempenhando assim as funções de IDR e DDR simultaneamente. Por isso que, na maioria dos casos, quando se fala em novos projetos elétricos residências o DDR desempenha a função de proteção geral do QGBT no lugar do disjuntor, justamente por ele desempenhar essas duas funções.

 

Função do MDR

 

Além do IDR e o DDR que já mencionamos acima, existe o MDR que significa MÓDULO DIFERENCIAL RESIDUAL. Este dispositivo nada mais é do que um sistema DR feito em uma espécie de módulo de encaixe que permite alocar de forma conjunta um disjuntor termomagnético se tornando assim em um componente DDR, o disjuntor diferencial residual e assim sendo o circuito elétrico estará protegido tanto contra correntes de fuga como correntes de curto circuito.

 

O funcionamento do DDR, IDR e MDR

 

Pois bem, sua composição é feita com um transformador especial com núcleo e bobina em formato toroidal junto com um disparador eletromagnético. Existindo corrente elétrica circulando em um condutor, automaticamente se gera um campo eletromagnético que circula em volta deste condutor.

Quando dois condutores paralelos conduzem correntes em sentidos opostos, os campos eletromagnéticos gerados pelos condutores se anulam; esse fenômeno apresentado que se torna a sua base de funcionamento.

Em condições normais de funcionamento o condutor fase e o condutor neutro passam por dentro do transformador toroidal, a corrente elétrica que passa por ambos os condutores (fase e neutro) que estão representados na figura como IF e IN são iguais, entretanto seus fluxos eletromagnéticos fluem em sentidos opostos.

O IDR faz o monitoramento desse fluxo eletromagnético (de sentidos opostos) e, quando ocorre uma fuga de corrente elétrica, ou seja, quando uma das correntes ocasiona uma diferença entre elas e comparando-se com as correntes que se deu na entrada no dispositivo, o sistema é acionado através de um relé que automaticamente vem a desarmar o IDR.

 

O que diz a NBR 5410 sobre DR?

 

No item 5.1.3.2.2 a NBR 5410 nos evidencia em quais lugares se torna obrigatório o uso do dispositivo IDR, sendo eles:

  1. “Em circuitos que sirvam de ponto de utilização situados em locais que contenham chuveiro ou banheira;
  2. Em circuitos que alimentem tomadas situadas em áreas externas a edificação;
  3. Em circuitos que alimentem tomadas em áreas internas e que possam vir a alimentar equipamentos em áreas externas;
  4. Em circuitos que sirvam de pontos de utilização situados em cozinhas, copas, lavanderias, áreas de serviço, garagem e demais dependências internas molhadas ou sujeitas à lavagem”.

 

Considerações finais

 

Em suma, o sistema DR foi criado em cima de uma finalidade de evitar danos fatais à vida no que diz respeito ao risco de se levar um choque elétrico nas instalações elétricas e, mesmo assim, é muito comum você encontrar hoje em dia várias instalações elétricas no Brasil, principalmente as antigas, sem a presença deste dispositivo obrigatório em uma instalação.

Agora, será que o valor de uma vida vale a economia com a finalidade de se baratear o projeto ou a adequação de uma instalação elétrica?

Informe a ele o porquê de você estar cobrando aquele valor em cima dessas questões de se utilizar dispositivos de segurança. Indague se ele prefere expor a sua família a ficar vulnerável a acidentes fatais.

O número de acidentes fatais com choque elétrico no âmbito residencial tem crescido bastante no Brasil, fora os incêndios de grandes proporções.

Pense nisso!

Até a próxima!

 

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By | 2020-04-24T09:24:58-03:00 agosto 11th, 2019|Dicas técnicas|

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CEO da Brandão Engenharia & Consultoria Eletrica, Engenheiro Eletricista, pós graduando em Engenharia de Segurança do Trabalho. Experiência em manutenção elétrica industrial, elaboração de projetos elétricos, sistemas de energia ininterrupta, coordenação e gerenciamento de projetos elétricos e fotovoltaicos, gerenciamento de energia, iluminação pública e elaboração de laudos e vistorias em instalações elétricas. Com a experiência adquirida com o passar dos anos pude também atuar como professor ministrando aula para cursos técnicos e cursos profissionalizantes.

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