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Desenergização de acordo com a NR 10

 

Este tema é de constante debate entre os profissionais da área de eletricidade. Entretanto, poucos conhecem realmente a definição de desenergização, amparada pela NR 10. Neste artigo vamos abordar este tema relevante e responsável por salvar vidas.

 

O que é desenergização?

 

Muitos profissionais pensam que desenergização é simplesmente “desligar” o interruptor/disjuntor para, assim, realizarem as devidas ações no sistema elétrico. Entretanto, o desligamento é somente um passo do processo de desenergização amparado pela NR 10. Inclusive, o item 10.2.8 que trata sobre “Medidas de proteção coletiva” discorre resumidamente que:

  1. Em todos os serviços executados em instalações elétricas devem ser previstas e adotadas, prioritariamente, medidas de proteção coletiva aplicáveis às atividades a serem desenvolvidas;
  2. As medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente, a desenergização elétrica conforme estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de tensão de segurança.

Não se deve confundir medida de proteção coletiva com EPC, pois a medida de proteção coletiva por conter diversos procedimentos.

 

Processo de desenergização?

 

Vale ressaltar que o processo de desenergização deve ser feito em etapas bem definidas, conforme preconiza a NR 10. Entretanto, deve-se observar que é necessário separar o ferramental, EPI, EPC e a devida sinalização da área de trabalho onde ocorrerá a intervenção.

O item 10.5 da NR 10 trata sobre “Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas”, mais precisamente em 10.5.1 fala que:

                “10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas para o trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a sequência abaixo”.

                Em seguida o item 10.5.1 será divido e comentado cada item de desenergização.

                “a) Seccionamento:

Este item é, normalmente, a única etapa do seccionamento realizada por diversos profissionais. Seccionamento significa “desligar”, ou seja, cortar o fluxo de elétrons no condutor. Perceba que a NR 10 não discorre que toda a instalação deve ser seccionada neste momento, somente o local onde será realizado o trabalho. Nesta fase deve-se saber qual circuito seccionar, e se será necessário a utilização de algum equipamento especial para realizar o seccionamento;

                b) Impedimento de reenergização:

Nesta etapa deve-se impedir a reenergização, através de artifícios mecânicos (cadeados, por exemplo). Ou seja, isto vem a garantir ao trabalhador que o sistema permanecerá seccionado durante o andamento do seu trabalho.

                c) Constatação da ausência de tensão:

Esta é a etapa onde o trabalhador deve garantir, através de equipamentos de medição, que o circuito onde haverá intervenção, esteja efetivamente sem tensão elétrica. De nada adianta seccionar um circuito e não verificar se o mesmo está desligado.

Nessa hora o trabalhador deve possuir um equipamento de medição, com indicação da magnitude de tensão onde haverá intervenção. Este equipamento deve estar em perfeitas condições de uso e, preferencialmente, calibrado.

                d) Instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos:

Esta etapa visa a proteção do trabalhador caso o sistema volte a condição de energização. Nesta fase a equipotencialização, que é a garantia que um elemento esteja no mesmo potencial que a terra, deve ser realizada de forma bem cuidadosa. Os condutores devem ser aterrados temporariamente, através de hastes de aterramento e garras específicas para esta função.

                e) Proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada:

Deve-se, primeiro, definir a área controlada, seguindo o que preconiza o anexo II da NR 10 a respeito da dimensão desta área. Em seguida, deve-se verificar se no local onde haverá intervenção há algum elemento energizado. Caso haja é necessário realizar a proteção deste elemento, utilizado mantas isolantes, por exemplo. É importante observar o nível de proteção de tensão da manta isolante, bem como a capacidade térmica.

                f) Instalação da sinalização de impedimento de reenergização:

Deve ser instalado a sinalização de impedimento de reenergização, através de placas, etiquetas ou outro artifícios que efetivamente sinalize o impedimento de reenergização. Este sistema deve advertir pessoal não autorizado e não envolvidos em instalações elétricas que ali está ocorrendo uma intervenção.”

 

Considerações importantes sobre desenergização?

 

                A desenergização elétrica deve ser realizada conforme preconiza o item 10.5 da NR 10 por pessoal devidamente autorizado para realizar o trabalho.

Lembre-se que desenergização é um procedimento em etapas e não somente “desligar” o circuito ao qual se deseja trabalhar. Ressalta-se que o item 10.5.3 orienta que o procedimento de desenergização pode ser alterado, por profissional legalmente habilitado, desde que seja mantido o mesmo nível de segurança originalmente preconizado.

 

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Por | 2020-02-25T21:16:13-03:00 fevereiro 6th, 2020|Dicas técnicas|

Sobre o autor:

Joao Luiz
Mestre em Engenharia Elétrica e fundador da JLA Serviços em Eletricidade. Especialista em projeto em baixa tensão, NR 10 e na área de educação técnica. Atua também como perito judicial, extrajudicial e na educação superior. Natural de Blumenau, porém atualmente reside em Balneário Camboriú/SC. Convidado para agregar conhecimento técnico de qualidade.

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