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Aquecimento em cabos e conexões

 

É comum o aquecimento em cabos e nas conexões entre dois pontos de contato, como conexões com disjuntores, barramentos, fusíveis, equipamentos, emendas, etc.

Quando se tem uma conexão haverá uma certa resistência para a passagem da energia nestes pontos, gerando aquecimento. Em casos de má conexão entre componentes, ocorrerá um superaquecimento chegando a níveis de risco de incêndio. Este texto irá lhe auxiliar a entender melhor este problema.

 

Aquecimento em cabos e a carbonização da conexão

 

A carbonização geralmente ocorre por fagulhas ou faíscas elétricas causadas pelas más conexões, como por exemplo: equipamentos com cabo solto por trepidação, emenda mal feita (cabos somente encostados um no outro), conexão frouxa entre disjuntor e cabo, entre outros. Neste caso haverá o escurecimento do material no ponto de fagulha, carbonizando o material. Acresce que, com a conexão já carbonizada, será necessário verificar danos no condutor nas conexões e dispositivos de proteção devido ao trabalho em condições críticas.

 

Zinabre

 

As ligas metálicas que possuem cobre, em contato com o gás carbônico e ar úmido, se oxidam e ficam com uma cor azul esverdeada, o chamado zinabre. O zinabre na conexão e no cabo, aumenta a resistência para a passagem da energia, o que também pode gerar sobreaquecimento. É necessário realizar a limpeza dos componentes com uma escova óleo anticorrosivo caso encontre zinabre nas conexões, evitando assim problemas como aquecimento por exemplo.

 

cabo com zinabre

 

Aquecimento em cabos e formação de bolhas

 

O aparecimento de bolhas no cabo, indica que ele passou por um aquecimento maior que o suportado e indicado pelo fabricante. Bem como, quando as bolhas estão somente próximas ao ponto de conexão, tudo índica que o problema pode ser nela. A tabela abaixo dispões de valores de limite térmico dos condutores em função dos materiais de isolação:

 

tabela regime temperatura cabo

Fonte: Informativo Corfio

 

Quando se tem o aparecimento de bolhas, o condutor pode ter perdido suas características originais de operação, ou seja, elevando a resistência para a passagem de energia elétrica nos pontos que sofreram esforço térmico, sendo necessária a substituição do condutor.

 

cabo com bolha

 

O que diz a norma?

 

O item 6.2.8 da norma NBR 5410 trata do assunto de conexões, porém muito difícil de compreender o montante de informações genéricas.

Os subitens de conexões tratam de emendas, exceções, dos tipos de materiais, temperatura de operação, utilização de soldas, prensa terminais, entre outros.

O subitem 6.2.8.5 diz: “As conexões devem poder suportar os esforços impostos pelas correntes, seja em condições normais, seja em condições de falta. Além disso, as conexões não devem sofrer modificações inadmissíveis em decorrência de seu aquecimento, do envelhecimento dos isolantes e das vibrações que ocorrem em serviço normal. Em particular, devem ser consideradas as influências da dilatação térmica e das tensões eletroquímicas, que variam de metal para metal, bem como as influências da temperatura que afetam a resistência mecânica dos materiais.”

Então quando se faz uma conexão é muito importante estudar tudo o que pode afetar as conexões.  Em locais que se tem vibração por exemplo. A vibração pode gerar um mal contato nos cabos ligados diretamente em disjuntores por exemplo, pois como o cabo é formado por muitos fios eles podem acabar trabalhando e tornar uma conexão firme em frouxa. E nos casos de emendas é recomendado a utilização de conectores, luvas e terminais (depende a aplicação), evitando uma má conexão como pode ocorrer em emendas comuns.

 As variações de ligas, descritas na norma, como alumínio e cobre por exemplo, é obrigatória a utilização de um conector específico e nunca realizar uma emenda direta dos condutores.

O item 6.2.11.1.11 da norma NBR 5410  diz “Os condutores devem formar trechos contínuos entre as caixas, não se admitindo emendas e derivações senão no interior das caixas.”

 

Verificação das conexões

 

O item 6.2.8.3 diz: “As conexões devem ser acessíveis para verificação, ensaios e manutenção, exceto nos seguintes casos:

  1. a) emendas de cabos enterrados; e
  2. b) emendas imersas em compostos ou seladas.”

Ou seja, é permitida a derivação nestas condições, desde que a isolação dos materiais seja feita de forma adequada para evitar fuga de energia

O item 6.4.3.3.2 diz: “As conexões devem ser acessíveis para verificações e ensaios, com exceção daquelas contida sem emendas moldadas ou encapsuladas.” Este é um item muito importante, pois para dar manutenção em conexões é necessário ter fácil acesso independentemente de ser uma ação preventiva ou corretiva. Conexões acessíveis não são expostas, por isto muito cuidado para não deixar componentes energizados expostos, tendo o risco de choque elétrico pelo usuário. É importante utilizar dispositivos de proteção que impeçam o contato direto com partes energizadas.

A figura abaixo demonstra o datasheet do fabricante de disjuntores caixa moldada, contendo várias informações para se ter uma boa conexão.

 

tabela conectores

Fonte: Conectores WEG

 

Sempre que surgir uma dúvida na hora de fazer uma conexão, é importante verificar os datasheets do fabricante que haverá informações valiosas como torque a ser utilizado, tipo conectores, diâmetro máximo e mínimo dos condutores, conexão direta ou não.

É importante que um profissional realize inspeções rotineiras nas instalações elétricas, de modo que mantenha a segurança da edificação e das pessoas. Desta maneira, evitando prejuízos financeiros por parar a produção de uma indústria, ou gastar com reparos de emergência que geralmente são mais caros.

 

Veja também:

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By | 2020-03-12T09:13:33-03:00 março 9th, 2020|Consultoria Elétrica|

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Engenheiro eletricista e engenheiro de telecomunicações, com especialização em gerenciamento de projetos pela FGV. Perito de instalações elétricas e de sistemas fotovoltaicos, com experiência em projetos de implantação de telefonia móvel, sistemas de geração distribuída, instalações elétricas prediais e industriais.

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