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NBR 16747 – Um resumo sobre o jogo de interesse da Norma de Inspeção Predial

 

Inicialmente quero pedir desculpas a muitos envolvidos na elaboração da norma, dizendo que não me refiro a toda categoria e sim às pessoas que ultrapassam limites e que acreditam que tendo formação em engenharia civil ou arquitetura, possuem conhecimento para fazer um projeto elétrico ou uma inspeção elétrica em um prédio olhando sistemas elétricos e mecânicos.

Lembrem-se que antes de serem profissionais, vocês possuem pais e mães, parentes que moram ou trabalham em edificações, que podem vir a ter as instalações elétricas inspecionadas por alguém que estudou muito pouco sobre eletricidade.

No dia 21/05/20 foi publicada pela ABNT a NBR 16747 – Inspeção Predial. A norma tem 14 páginas e o arquivo em formato pdf custa R$ 92,10 no site da ABNT.

Ela foi elaborada pelo Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002), sendo mais especifico pela Comissão de Estudo Inspeção Predial (CE-002:140.002). O Projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital nº 12, de 17.12.2018 a 14.02.2019, sem uma participação ativa dos membros de outras áreas (elétrica e mecânica).

Na prática foram registrados 168 votos sobre essa norma, sendo 75 aprovados sem restrição (44,64%), 33 aprovaram com observações (16,64%). A norma teve 60 votos de não aprovação com objeções de 35,71% dos votos.

A norma claramente beneficia a categoria dos engenheiros civis sem pensar na complexidade de se fazer uma Inspeção Predial olhando todas áreas. Foi negligenciado em sua elaboração diversas recomendações sobre a parte elétrica, incluindo a importância de referência a NBR 5410 durante uma inspeção predial.

A pergunta que fica no ar e será feita para ABNT em uma ação movida via Ministério Público Federal em meu nome é… Dos 75 votos aprovados quantos são engenheiros eletricistas ou engenheiros mecânicos, tendo em vista que estamos falando de uma inspeção predial completa?

As consultas públicas feitas pela ABNT sobre as normas técnicas não possuem um processo transparente. Na prática, em alguns casos é um jogo de cartas marcadas, no qual você envia os comentários e não recebe respostas.

Enviei um texto e um vídeo sobre os riscos da NBR 16747 e não tive nenhum retorno por parte da CB/002, meus comentários estavam associados aos riscos de incêndio e mortes com origem elétrica e sobre a incapacidade dos engenheiros civis poderem inspecionar essas áreas, da mesma forma como engenheiros eletricistas e mecânicos são incapazes de opinar sobre questões estruturais de uma edificação.

O interesse oculto por trás da norma é abrir um mercado de elaboração de Laudos de Inspeção Predial, sendo feito por 1 único profissional que irá olhar a edificação por completo (parte civil, elétrica e mecânica).

Esse é o jogo da vida real que o cliente encontra no mercado e vem provocando muitos acidentes e mortes no Brasil.

O próximo passo é seguir o mesmo caminho com a NBR 16747. O provável objetivo oculto como próximo passo pode ser a criação de um projeto de lei que obrigue essa aberração em todo território nacional, fazendo síndicos e moradores gastarem dinheiro com papeis que não contribuem com a segurança do que mais causa incêndio e mortes. As instalações elétricas…

 

NBR 16747 – Engenheiro Civil e Arquitetos tem atribuição, mas não tem competência para atuar na área elétrica

 

A minha fundamentação tem como base o que é ensinado na maioria das universidades do Brasil. Em muitas delas a carga horária de estudo sobre eletricidade é inferior a 100h durante toda graduação. Isso é muito menos do que um eletricista precisa saber para trabalhar com instalações elétricas prediais.

Você pode conferir essa informação acessando, por exemplo, a grade curricular do curso de Engenharia Civil da USP, no link abaixo, entre outras tantas universidades semelhantes:

Grade curricular de Engenharia Civil da USP (disciplinas de eletricidade)

Nessa universidade são ministradas 2 disciplinas de eletricidade, sendo uma de circuitos elétricos com 75h e outra de instalações elétrica com 60h. Sim, é isso mesmo, 60h de instalações elétricas.

É com base nesse conhecimento adquirido em tão pouco tempo que alguns profissionais acreditam que podem fazer inspeção nas instalações elétricas, seguindo as recomendações da NBR 16747 – Inspeção Predial.

Em alguns casos vão alegar que irão subcontratar a parte elétrica para engenheiros eletricistas ou eletrotécnicos, no entanto, na prática, estamos acostumados a encontrar diversos projetos elétricos errados e perícias judiciais sendo feito por profissionais com formação em engenharia civil ou arquitetura, o que deveria ser proibido devido a baixa carga horária de estudo na área elétrica.

Talvez você esteja pensando, como o CREA não se manifesta sobre isso? No CREA, CONFEA e no IBAPE as categorias que predominam no topo das lideranças a parte que mais se beneficia.

 

NBR 16747 – Denúncia contra a ABNT no Ministério Público Federal

 

No dia 02/06/20 protocolei uma denuncia no Ministério Publico Federal referente a NBR 16747, com objetivo de exigir explicações da ABNT.

A denuncia foi encaminhada para Divisão Cível Extrajudicial da Procuradoria da República no Estado de São Paulo e pode ser consultada através do número: PR-SP-00057875/2020. Daqui para frente estaremos criando uma mobilização nas redes sociais exigindo transparência na criação de normas por parte da ABNT.

Qual o critério utilizado para aceitar ou rejeitar os comentários associados as normas enviados durante a consulta pública? Essas são algumas perguntas que devemos fazer aos envolvidos. Basta observar na fala de cada um e onde perdem e o que ganham. É preciso ver os bastidores e não o palco.

Tenho e-mail`s e provas complementares ao que foi protocolado no MPF, além de saber o caminho para obter mais provas para fundamentar o que está sendo apresentado na denuncia e no vídeo.

Fiz alertas a CB-003 (elétrica) e para a CB-002 (civil). Alertei sobre o jogo de interesse por trás dessa norma enviando provas, alertando que faria esse denuncia se a norma fosse aprovada, sem envolvimento de engenheiros eletricistas e mecânicos.

A norma foi aprovada, e aqui estou lhe fazendo um convite para não aceitarmos mais injustiças com a sociedade.

Criei um canal no Telegram para postar os materiais sobre isso, lhe convido a participar desse movimento através do link abaixo:

Canal no Telegram: NBR 16747 – Sou contra essa norma (provas e andamento no MPF)

O vídeo abaixo fiz em 2019 com objetivo de alertar o jogo sujo de interesse por trás da elaboração da NBR-16747. Nele me refiro a norma disponibilizada para consulta pública.

Foram feitas algumas mudanças com uma pequena maquiagem de palavras na versão publicada, mantendo a essência do que beneficia os engenheiros civis. Um resumo, um jogo de cartas marcadas, no qual terá que ser dado explicações para sociedade brasileira, pois isso tende a fazer os síndicos gastarem de maneira desnecessária, tendo uma falsa sensação de segurança.

Infelizmente, nos da engenharia elétrica, estamos cada vez mais preocupados em criar normas cada vez mais rígidas, seguindo os padrões dos países de primeiro mundo, sem olhar para o problema real da sociedade. Estamos querendo acertar a mosca e está passando uma boiada, como situações como essa do outro lado.

Precisamos começar a olhar para sociedade, deixando de lado os nossos interesses pessoais, coibindo esse tipo de manipulação de massa barata e suja.

Vamos esperar que mais 10 jovens morram como o que aconteceu no centro de treinamento do Flamengo para tomarmos uma atitude?

Se você concorda com o que está escrito aqui, lhe convido a fazer parte desse movimento, vamos juntos denunciar e mostrar onde essas pessoas se beneficiam ao elaborarem normas, usando nome de instituições para beneficiarem as suas empresas.

Caso você não concorde, deixe o seu nome e comentário, não sou o dono da verdade, mas gostaria de conhecer a sua verdade sobre o tema.

 

NBR 16747 -Um breve resumo da norma de Inspeção Predial 

 

A NBR 16747, norma de inspeção predial , destaca que:

“ A atividade de inspeção predial, pelo seu caráter de análise global da condição de conservação e funcionamento da edificação, inerentemente possui características multidisciplinares e pode demandar equipes de profissionais de diferentes formações”.

Na versão disponibilizada na consulta pública em 2019 ela deixava claro quais sistemas deveriam ser verificados, sendo retirados na versão publicada em 21/05/20, ficando entendido através da frase acima que um único inspetor tem autonomia para periciar todo prédio (área civil, elétrica e mecânica), chamando eventualmente alguém para lhe ajudar, caso julgue necessário.

A norma também cita no item 4 que:

“ As inspeções prediais devem ser realizadas apenas por profissionais habilitados, devidamente registrados nos conselhos profissionais pertinentes e dentro das respectivas atribuições profissionais contempladas na legislação vigente.”

Na prática se trata de abertura de mercado com total desinteresse em chamar os engenheiros eletricistas e mecânicos para participar da elaboração da norma.

Caso houvesse uma preocupação séria com o tema, deveriam estar citadas nas normas de referência para elaborar um laudo de inspeção predial as normas ligadas a engenharia mecânica e elétrica.

Se você é sindico(a), não acredite nesse discurso de que existe uma norma e que isso passa a ser obrigatório a partir de agora. É um simples jogo de mercado para aumentar a demanda de serviços, sem que seja observado o que realmente pode provocar um incêndio no seu prédio, como citado anteriormente, engenheiros civis e arquitetos não deveriam trabalhar com instalações elétricas, pois não tem o conhecimento necessário sobre o tema, infelizmente o CONFEA é omisso em relação a isso, juntamente com os CREA`s.

 

NBR 16747 – Para bom entendedor basta uma reflexão

 

Um tema interessante como análise crítica, é que TODAS referências da NBR 16747 estão associadas a outras normas feitas por Engenheiros Civis desprezando normas feitas por engenheiros eletricistas ou mecânicos, associadas a segurança das edificações.

Será que só as normas feitas pela CB/002 são importantes ou não foram citadas as normas de outras áreas pela falta de conhecimento dos mesmos a importância delas? Essas são algumas justificativas que buscaremos através do Ministério Público Federal, sendo necessário um posicionamento por parte da ABNT. Afinal, o que é feito lá, impacta a sociedade Brasileira.

Essas são as normas citadas na NBR 16747 como referência para fazer uma Inspeção Predial, meu convite é para você encontrar alguma norma sendo citada que seja feita por engenheiros eletricistas ou engenheiros mecânicos.

ABNT NBR 5674, Manutenção de edificações – Requisitos para o sistema de gestão de manutenção

ABNT NBR 13752, Perícias de engenharia na construção civil

ABNT NBR 14037, Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações – Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos

ABNT NBR 15575-1, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais

ABNT NBR 15575-2, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais

ABNT NBR 15575-3, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos

ABNT NBR 15575-4, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas – SVVIE

ABNT NBR 15575-5, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas

ABNT NBR 15575-6, Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários

ABNT NBR 16280, Reforma em edificações – Sistema de gestão de reformas – Requisitos

ABNT NBR ISO 5492, Análise sensorial – Vocabulário

Vamos fazer com que essa informação chegue ao maior número de pessoas. Compartilhe, contamos com o seu apoio nessa luta.

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Por | 2020-06-04T10:46:14-03:00 junho 3rd, 2020|Carreira - Setor Elétrico|

Sobre o autor:

Daniel Machado Duarte
MBA em Gestão Comercial | Engenheiro Eletricista | Eletrotécnico | Técnico em Contabilidade| . Trabalhou como eletricista de redes de distribuição, técnico de projetos, fiscalização de obras, comissionamento e ensaios de equipamentos elétricos em redes de distribuição e usinas hidroelétricas. Fundou a empresa D&M Perícia Elétrica em 2014 e atualmente presta diversos serviços de consultoria elétrica para empresas e condomínios no Brasil.

10 Comentários

  1. Avatar
    Adilson 05/06/2020 at 11:01 - Reply

    Essa norma NBR 16747 foi criada por engenheiros civis que sempre puxam a sardinha para o seu lado. Isso sempre aconteceu, principalmente dentro dos CREAs onde a modalidade civil sempre foi a maioria. Então se baseiam que tem conhecimento em outras áreas da engenharia pelo fato de terem em suas grades curriculares uma pincelada de elétrica e talvez mecânica.
    Os engenheiros civis se acham os donos da engenharia, e acham que podem tudo. Mas dizer que para levantar uma casa que não é preciso um engenheiro civil ficam putos da vida.

    • Daniel Machado Duarte
      Daniel Machado Duarte 08/06/2020 at 13:51 - Reply

      Olá Adilson, super te entendo, só não podemos generalizar. Conheço muitos engenheiros civis que são super responsáveis com o seu limite profissional.

      Mas, infelizmente, tem uma parcela que é como você falou.

      Na elétrica, também temos esse problema, pessoas arrogantes e donos da verdade. No fundo isso existe em todas as áreas.

      O que não podemos fazer é aceitar a manipulação de mercado através da criação de normas técnicas que gerem benefícios para uma categoria prejudicando a população.

      Se compartilhar esse post já estará ajudando na mudança.

      Obrigado pelo apoio.

  2. Avatar
    Ricardo Leal Picanço 10/06/2020 at 08:51 - Reply

    Caros colegas!
    A grande questão é a ÉTICA, pois se todos atuassem dentro de suas competências e capacitação não teríamos essa discussão. Trabalhei mais de 20 anos em uma empresa de Engenharia Elétrica e sempre tínhamos questões técnicas para resolver onde durante a execução não havia um profissional com conhecimento técnico em elétrica. Não corroboro com o posicionamento de que o Eng. Civil não teria condições de avaliar um sistema elétrico de baixa tensão, com as devidas medições e avaliações, apenas pela baixa carga horária da grade curricular do curso superior, pois outras tantas disciplinas na mesma linha apresentam baixa carga horária e a atribuição é dada. A capacitação deve ser uma constante e não podemos restringir a atuação do profissional que comprove ter condições de realizar as atividades. Sou contra o “lob” da categoria criando mercados exclusivos, acredito que somente com competência e dedicação o profissional se firma no mercado. As normas devem ser elaboradas com o foco nas questões técnicas e não para favorecer determinada categoria.
    Abraços
    Eng. Civil Ricardo Leal Picanço

    • Daniel Machado Duarte
      Daniel Machado Duarte 10/06/2020 at 09:26 - Reply

      Ricardo, suas considerações são excelentes e agradeço muito a contribuição. No Brasil nos falta muita ética profissional.

      Sobre fazer projeto e Inspeção elétrica estudando 100h, entendo seu posicionamento, respeitando a sua opinião e vou tentar explicar o meu.

      Nos últimos anos as instalações elétricas tem se tornado muito complexas, elevou-se os efeitos por harmônicas em condutores neutros, sendo necessário dimensionar os equipamentos, prevendo esse efeito que gera excesso de aquecimento e degradação de materiais.

      Temos muitos materiais sendo fabricados e comercializados de maneira irregular, por exemplo, cabos desbitolados, sendo necessário saber como classificar um cabo nessa categoria, de acordo com a norma de cabos elétricos.

      Os dispositivos de partida, tais como inversões de frequência, soft start, partida de motores com revezamento de bomba, exigem um conhecimento mais avançado sobre o tema.

      Também temos situações de extrabaixa tensão em locais com área úmida, podendo ser usado outras alternativas de segurança abordadas na NBR 5410, exigindo um aprofundamento técnico.

      Fora isso, um projeto elétrico e uma inspeção elétrica deve estar em conformidade com as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho.

      Também posso citar os cuidados ao instalar cabos em paralelo, sendo necessário atentar aos efeitos de indutância mútua, devendo alterar o método de instalação ou a filosofia de proteção.

      Se conhecer um curso de engenharia civil que ensine o que comentei gostaria que me indicasse. Vou entrar em contato com a instituição e ver como passam esse conteúdo em menos de 100h. Tenho mais de 5.000h de estudo entre formação e cursos e isso não tem limite.

      No Paraná de cada 10 projetos eletricos feitos em um período de 4 anos, 9 foram feitos pela civil.

      Já condenei diversas obras elétricas feitas por Eng. Civis e Arquitetos, tendo que refazer tudo, devido ao risco de incêndio na edificação.

      A parte elétrica representa uns 3% de uma edificação, se trata da segurança de pessoas, precisando de conhecimento específico sobre o tema.

      Me pergunto, qual a dificuldade que as pessoas que estão manipulando o mercado tem de entender isso que comentei? Até onde são capazes de ir para não perder um cliente?

      Precisamos começar a pensar mais na vida das pessoas, sendo éticos e mais profissionais. Aceitando os nossos limites.

      Sobre a NBR 16747, acompanho os bastidores disso e é simplesmente uma vergonha nacional o que foi feito para manipular e abrir mercado.

      Super concordo com você em relação a ÉTICA.

      Muito obrigado pela contribuição Eng. Ricardo.

  3. Avatar
    Francisco 14/06/2020 at 10:46 - Reply

    Realmente é muito lamentável e triste atitudes dos supostos “profissionais” que atuam dessa maneira, Um engenheiro não qualificado com “competência para ser responsável pelo Laudo Técnico de Instalações Elétricas. Se bobearem daqui a pouco, “esses profissionais” vão manipular para que eles possibilitem assinarem Laudos na mecânica, na Química, etc. e por que não até Laudo Médico…….e por ai fora!!!!!
    Moro muito tempo em condomínios e tenho participado como colaborador (grupo conselheiros) e tempos em tempos os prédios necessitam manter atualizado alguns laudos, principalmente AVCB do Corpo de Bombeiros, que nesse caso foco é a situação regular das Instalações Elétricas. Ai o síndico contrata, por menor preço e na visão do sindico (que 99,99% não é da área) não consegue visualizar os princípios básicos de um sistema de energia elétrica assim como demais membros. O importante é contratar pelo menor preço…e obter o Laudo assinado por “engenheiro”…..esquecendo que se ocorrer algum dano físico, o prejuízo como todo acaba sobrando para o Condomínio(sempre). Isso é o que acontece em condomínios onde os membros não conseguem avaliar a importância e o risco. Há questão de quatro anos atrás o Laudo para obter AVCB foi assinado pelo arquiteto, com guia ART devidamente aceito pelo órgão regulador que é o CREA (parece que o erro começa aqui)…..pois, foi contratado um “profissional que apresentou o menor preço” e por fim que é o mais importante para o síndico e demais membros que “já temos Laudo assinado” para obter o AVCB regularizado.
    Recentemente, foi feito um upgrade parcial no quadro elétrico geral do condomínio e uns dos representantes para apresentar a proposta, um engenheiro eletricista, por vez identificado, e durante as conversas da vistoria ele diz “cabos “neutro e terra não precisam levar separados e eles podem ser único porque são aterrados num único ponto” (centro de medição)…..isso não é absurdo ??? e outro, diz que não usa disjuntor DR porque desliga a toa.
    No caso dos levadores escadas rolantes, pelo menos aqui na capital paulista o Laudo é assinado por um dos profissionais :Engenheiro Mecânico e/ou Eletricista. Nesse caso, muito bem especificado e recolher as taxas devidas da ART junto ao CREA da região.
    Estatisticamente a causa da maioria dos incêndios de grandes proporções é decorrente da má qualidade das instalações elétricas ou surtos de tensões que causam queimas de componentes eletrônicos sensíveis e ao que parece ninguém, quando acontece e nem mesmo o CREA questiona quem foi responsável técnico pelo Laudo Elétrico ou quem assinou o Laudo do AVCB ??? e quem arca com o prejuízo sempre acaba sobrando para o consumidor final.
    Esses são os cenários da atualidade que estamos vivenciando…..e se agente pesquisarmos mais e for a fundo nos assuntos relacionados, termos os mais absurdas e piores que se imaginam…..o porquê disso : excesso de politicagem, ganância, imperialismo, desconhecimento, menor preço,…..
    Espero ter colaborado e ajudado a obter as regras, as limitações e atribuições de cada área.
    De qualquer forma, caro eng.Duarte, siga em frente, que vc vai conseguir,
    Sucesso.

    • Daniel Machado Duarte
      Daniel Machado Duarte 14/06/2020 at 15:16 - Reply

      Boa tarde Francisco, agradeço de coração a sua contribuição. O que relatou é a realidade que encontramos na prática.

      Precisamos atuar em duas pontas… Uma mudando a visão dos profissionais sobre a responsabilidade que assumem e a importância de terem conhecimento técnico no que fazem.

      Na outra ponta, precisamos aumentar o nível de consciência dos sindicos(as) sobre essa situação.

      É uma luta diária onde precisamos do apoio de todos.

      Forte abraço.

  4. Avatar
    Amanda Lima 29/06/2020 at 10:42 - Reply

    Muito perigoso mesmo, espero que consiga ser ouvido. Obrigada por nos representar. Abraço.

  5. Avatar
    Marcio Di Croce 30/06/2020 at 17:37 - Reply

    Caro Daniel, pelo que vi na Norma, e uma lida rápida é que profissionais habilitados do CREA e CAU podem fazer a inspeção como um “clinico geral” e diante da avaliação, solicitar uma vistoria em disciplina especialista ou seja, civil, mecânico, eletricista. Minha maior preocupação não é a inspeção por qual disciplina fará e sim sobre as pessoas que sequer tem atribuição técnica para isso, por exemplo: corretores de imóveis que fazem “laudos” de entrada e saída, avaliam o imóvel como um todo sendo qualidade, financeiramente, etc. Além disso temos ainda os Técnicos que agora no CFT parecem ter as mesmas atribuições que engenheiros, vide o que está acontecendo atualmente na disciplina mecânica. Apenas à título de curiosidade, sou Engenheiro de Produção, Tecnólogo em Construção Civil de 2 especialidades (estruturas metálicas e edificações), além de técnico em edificações e quando questiono o CREA sempre as respostas não respondem nada. Minha atuação sempre foi no gerenciamento de obras, civis, elétricas e mecânicas, atualmente faço gestão de manutenção em prédios corporativos, ressalto que sempre peço suporte às disciplinas especialistas em assuntos como cabine primária, elevadores, etc. Parabéns pela iniciativa e que todos nós tenhamos suporte para exercer à engenharia.

    • Daniel Machado Duarte
      Daniel Machado Duarte 02/07/2020 at 10:20 - Reply

      Olá Márcio, super te entendo, no que se refere a norma os profissionais sem habilitação (registro no conselho) não podem fazer esse tipo de laudo, no entanto, temos um grande problema é que estamos deixando pessoas sem conhecimento em áreas especificas emitirem opiniões técnicas de maneira superficial.

      Isso irá aumentar o risco de acidentes e incêndios.

      Obrigado pela contribuição.

      Forte abraço.

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